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N°01
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Sumi por meses. Foi isso que eu estive construindo

Tulio
Tulio
15 ago 2026 · 7 min de leitura

Não, o DevPleno não acabou. Eu sumi por um tempo, mas não parei: nesses meses estive construindo produtos, testando linhas de negócio e organizando tudo isso em um jeito próprio de operar: criar e tocar vários negócios praticamente sozinho, com IA, automação e sociedade com especialistas. Este é o primeiro ensaio dos bastidores dessa história.

O gargalo sempre fui eu

Mesmo tendo equipe, tudo passava por mim, e isso limitava o quanto era possível executar. Cada decisão, cada revisão, cada projeto novo esbarrava na mesma fila. Com IA, o gargalo não desaparece, mas diminui muito. É exatamente por isso que hoje dá para tocar várias frentes ao mesmo tempo sem que nenhuma delas pare para esperar a minha agenda.

Sozinho na operação, sócio no nicho

O ponto central: hoje dá para fazer quase tudo com IA (marketing, programação, operação), independentemente de você ser programador ou não. Só que isso cria um paradoxo. Se qualquer pessoa pode "ser especialista" em qualquer coisa, o que diferencia um negócio do outro?

Se todo mundo pode ser especialista com IA, o diferencial passa a ser quem conduz a conversa.
tese da edição

Daí a estratégia: juntar a minha experiência de programação e orquestração com a expertise de alguém que conhece o mercado de verdade. Não sou eu perguntando para a IA sobre um mercado que não conheço; é o especialista ditando o caminho e usando a IA junto. Na prática, isso virou sociedade com gente de gestão, com advogado, e assim por diante: várias linhas de faturamento, cada uma com um parceiro de nicho.

E tem um efeito colateral excelente: um aprendizado em um negócio alimenta todos os outros. A régua de cobrança que nasceu em um produto vira padrão em todos. O funil que funcionou em um nicho vira hipótese nos demais. É um ciclo de melhoria composto.

Nem tudo precisa ser agente

Boa parte dos problemas da empresa hoje é resolvida com agentes e workflows, mas com uma ressalva importante. Muita coisa é só um workflow com um ponto de decisão rodando um LLM. E muita coisa continua sendo código puro: régua de cobrança não precisa de agente, por mais bonito que seja fazer com agente. O fluxo que tem funcionado: prototipar o workflow no n8n e, quando ele se prova, trazer para o código.

O SaaS não morreu

Muita gente diz que o SaaS acabou porque agora qualquer pessoa pode criar um. Sim, todo mundo pode criar, mas as pessoas têm outras coisas para fazer. Dá para uma contabilidade criar o próprio CRM? Dá. Mas a contadora tem o operacional dela para tocar. Duas oportunidades que venho explorando: SaaS de infraestrutura, que outros negócios usam como base, e SaaS regulatórios: novas leis surgindo que vão exigir software. Vale olhar o que está aparecendo de regulatório na sua área.

Foi desse raciocínio que nasceram os produtos desta fase. O PipesBot resolve a conexão de qualquer aplicação com o WhatsApp. Criado primeiro para um problema interno, virou produto que ex-alunos já colocam dentro dos SaaS deles. E o Selva.run atacou as duas coisas que travavam todo projeto novo: subir conteúdo e disparar e-mail. O Selva CMS é open source, multi-tenant e gerenciável via MCP: dá para publicar conteúdo pelo Claude. O Selva Mail roda na sua própria conta AWS, com custo que escala para zero. O ganho real é padronização: projeto novo é criar um tenant, apontar o domínio e está no ar em um minuto.

Como se aprende a programar agora?

A parte que mais me inquieta. A área mudou muito de um ano para cá, e as chances são de que a gente não vá mais escrever tanto código. Se o ato de programar muda, a forma de aprender muda junto. Os melhores programadores hoje sabem especificar: descrever bem o que querem, não só a funcionalidade, mas como ela deve ser implementada. E especificar exige conceito. É por isso que existe tanta crítica ao vibe code: falta o vocabulário para pedir direito e para julgar se o resultado está aceitável.

É esse o desafio por trás da nova versão do FullStack Master: repensar a formação para a era da IA mantendo os conceitos e os projetos práticos, mas colocando a IA na ordem certa do processo, e não como um copiloto colado por cima do curso antigo. Ainda não há data, mas essa é a linha. E é isso que este espaço vai documentar: o processo inteiro, não só o resultado.

Não perca o próximo ensaio.

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